Terça-Feira, 22 de Setembro de 2020

Política
Domingo, 02 de Agosto de 2020, 14h:11

OPINIÃO

Bolsonaro, as fake news e Sergio Moro

Jô Navarro

Reprodução

Bolsonaro e Moro

Depois que militantes radicais de direita que carregavam faixas pedindo o fechamento do STF e 'Intervenção militar com Bolsonaro no poder' passaram a ser investigados, e até presos, os ataques ao Supremo Tribunal saíram das ruas. Porém, estão a toda carga nas redes sociais promovendo ataques cada vez mais virulentos.

Uma nova onda de fake news tenta convencer a sociedade que a China, a Coreia do Norte, o STF e parte dos congressistas conspiram contra Bolsonaro e o querem fora do governo. O blogueiro Alan dos Santos, que diz estar no exterior, desfere ataques ao ministros do STF e TSE, acusando-os de conspirar para derrubar o presidente Bolsonaro.

Depois de encerrado o inquérito da PF que concluiu que Adélio Bispo, que esfaqueou Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral agiu sozinho, os militantes anunciam nas redes sociais que revelarão 'em breve' os nomes dos mandantes.

Em outra ponta, em suas redes sociais o próprio presidente dá o comando da linha de ataque a Sergio Moro, que tem o maior potencial de derrotá-lo nas urnas em 2022. O presidente afirma que depois que Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça, as operações da PF 'começaram acontecer'. "Com a troca do Ministro da Justiça, como por um passe de mágica, várias e diversificadas operações foram executadas. A @PRFBrasil, por sua vez, quase triplicou a apreensão de drogas com o novo ministro", disse o presidente no Twitter.

Logo em seguida ao comando de Bolsonaro os ataques a Sergio Moro começaram, tentando lançar dúvidas sobre seu caráter e lisura no MJ e quando foi juiz da Lava Jato em Curitiba, legados que o tornaram conhecido em todo o mundo e o colocaram no Trends Tópics do Twitter nos  últimos dias.

Eleito com o discurso de apoio à Lava Jato, combate à corrupção, fim da 'velha política', dizia ser contra a troca de cargos por apoio político, Bolsonaro hoje faz exatamente o contrário. Para completar, agora virou defensor da nova CPMF, na forma de imposto sobre transações na internet. "Não tem aumento da carga tributária, é para substituir imposto", disse hoje o presidente.

Os brasileiros abominam a CPMF e qualquer coisa que queiram empurrar com nomes pomposos para sugar a sociedade. Enquanto isso, os bancos e grandes empresas são poupados da sanha arrecadatória, o Ibama continua sem receber mais de 90% das multas ambientais aplicadas e o cartão corporativo do presidente continua um buraco sem fundo. Para alguém que diz ser 'um cara simples' e adora se promover tomando café em copo de requeijão, ele gasta um bocado.

O real traidor dos eleitores é, de fato, o presidente. 

 

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