Terça-Feira, 19 de Março de 2019

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Sábado, 16 de Março de 2019, 06h:36

PGR

Na crise do Ministério Público, dois procuradores pedem demissão

Redação

Reprodução

Procuradora-geral, Raquel Dodge

As críticas internas no Ministério Público Federal à atuação da procuradora-geral, Raquel Dodge, se intensificaram nesta semana, após a chefe da instituição ter solicitado ao Supremo Tribunal Federal que suspendesse o acordo firmado pela Lava Jato com a Petrobrás, que criava um fundo de R$ 2,5 bilhões. Dois procuradores da República que atuavam em uma secretaria vinculada ao gabinete de Raquel pediram demissão, o que foi recebido pela categoria como um protesto.

Os procuradores Pablo Coutinho Barreto e Vitor Souza Cunha eram chefes da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (SPPEA), que realiza um trabalho de investigação criminal. A Procuradoria-Geral da República disse que os procuradores informaram que saíram por motivos pessoais e que o órgão não faria comentários.

Em diversos grupos de comunicação entre procuradores, houve críticas a Raquel por ter acionado o Supremo diretamente — o que representou, segundo eles, um embate com a força-tarefa, em vez do diálogo. A leitura é de que havia meios de revisão do acordo dentro do próprio Ministério Público Federal, sem um pedido de liminar no STF. Nesta sexta-feira, 15, o ministro Alexandre de Moraes atendeu ao pedido de Raquel e suspendeu o acordo bilionário com valores recuperados pela Lava Jato.

Para procuradores ouvidos reservadamente, existe um cenário de desgaste na instituição. Não estão descartados novos pedidos de demissão. Alguns integrantes ouvidos sob condição de anonimato entenderam que, ao apresentar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, Raquel abriu um flanco para ataques do Supremo à categoria.

Durante a semana, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, anunciou uma representação contra um membro da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, o procurador da Diogo Castor, e a abertura de um inquérito no qual serão investigados supostos crimes e infrações de membros do Ministério Público em ataques à corte.

Raquel foi indicada ao cargo em 2017, pelo então presidente da República, Michel Temer. Assumiu o posto em setembro, para um mandato de dois anos. Na ocasião, ela ficou em segundo lugar na lista tríplice elaborada pela Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR), com votos de procuradores. A sucessão será discutida ao longo do ano e a decisão caberá ao presidente Jair Bolsonaro.

Ao Estado, um integrante do Ministério Público Federal que já figurou em uma das últimas listas tríplices disse que o órgão passa por uma de suas piores crises internas desde a Constituição de 1988. Segundo ele, a falta diálogo é crescente e ficou evidenciada na apresentação da ação no Supremo. Para ele, existe uma sinalização ambígua da chefia da instituição, que estaria se tornando um fator indutor de crise. Esse subprocurador diz que uma instituição cuja liderança não se posiciona claramente deixa espaços a questionamentos externos.

Paraná. Após Alexandre de Moraes atender ao pedido da Procuradoria-Geral e suspender o acordo com a Petrobrás, integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Paraná e se manifestaram publicamente. Treze procuradores pediram o encaminhamento à Corte de informações que “podem ser relevantes” para alteração da decisão.

Ao suspender o acordo, o ministro apontou que “parece ter ocorrido ilegal desvirtuamento na sua execução”.

“A decisão (de Alexandre de Moraes) é reflexo do entendimento equivocado da procuradora-geral a respeito do acordo, segundo o qual os recursos ficariam no Brasil se não fosse a realização do acordo suspenso”, afirmou a força-tarefa.

Está previsto para este sábado, 16, em Curitiba um ato de apoio a procuradores da força-tarefa da Lava Jato, organizado pela Associação Nacional de Procuradores da República. O foco, no entanto, é o ataque a integrantes no plenário do Supremo Tribunal Federal.

Segundo organização, “a ANPR e integrantes da Lava Jato vão rebater os fatos e as críticas da semana referentes às manifestações e ao trabalho dos procuradores da força-tarefa”.

3 COMENTÁRIOS:

A Procuradora-chefe está certa. Não se deixe amedrontar com o movimento contrario a sua decisão...mostre sua garra política .As mulheres brasileiras estáo muito bem representadas com a senhora.
enviado por: Marina Fleury Curado Rosa em 16/03/2019 às 11:09:10
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Bom dia! Muito revoltada com os acontecimentos e ataques contra a lava jato.acompanho o trabalho dos procuradores e acho digno de aplausos sempre, mas graças a uma massa de analfabetos politicamente, e mal informados juridicamente que não perde tempo e ama ser objeto de manobra nas mãos de quem só se beneficia da falta de conhecimento e respeito por quem trabalha honestamente em defesa de uma nação. E em nome dessa admiração pelo trabalho da lava jato que venho pedi aos seus representantes que explique em detalhes o porque é pra que o fundo feito e sugerido pela petrobras. Assim se esclarece milhões de dúvidas em especial aos que os crítica pelas redes sociais. Porque pra esses mal iformados a força tarefa está roubando esse dinheiro.
enviado por: Tania Maria pereira do bascimento em 16/03/2019 às 10:02:20
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Parabenizo aos procuradores que trabalham na Lava Jato, que é um marco e ponto de partida para um Lava Jato no Ministério Público. Sabemos da existência de injustiças no Ministério Público, porém como desvelado na Câmara Federal(Senado não saiu imune), onde o nível de corrupção apresentou-se vergonhoso, não esperávamos que a excessão vira-se regra pela falta de ética, o que infelizmente tem como base a população(isso merece um estudo para ação, se quisermos ser uma grande nação respeitada). As pessoas de bem, cidadãos, em especial aqueles que ocupam áreas da Justiças tem pela frente um desafio de recuperação da nossa dignidade como cidadãos e Brasileiros. Que Deus ilumine, dê forças, coragem e sabedoria, pois a população em sua massa não enxerga com profundidade os momentos cruciais que estamos vivendo. Esterno minha gratidão pela boa vontade do Senhores, cientes de que suas ações refletiram em gerações futuras.
enviado por: Marco Antonio Pagliarini Santos em 16/03/2019 às 07:56:36
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