Terça-Feira, 14 de Julho de 2020

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Sábado, 28 de Março de 2020, 19h:15

COVID-19

A advocacia precisa se adaptar à nova realidade

MelanieTonsic

Divulgação

Estamos passando por um momento realmente difícil e que envolve muitas mudanças. Todas essas transformações vão gerar um impacto profundo no comportamento da sociedade, nas empresas e nos negócios em geral. A pandemia do coronavírus, que atinge o mundo inteiro, nos exigiu reclusão e a urgência dos escritórios de advocacia a passarem por uma rápida adequação, frente à essa nova realidade.

Isso tudo requer do advogado, de escritórios de advocacia e de departamentos jurídicos, a necessidade de se reinventarem, de pensarem além do que se aprendeu nos bancos das Faculdades de Direito e de desenvolverem habilidades multidisciplinares, que vão dar a oportunidade de se exercer a profissão atendendo melhor às necessidades do momento atual. Os conflitos vão continuar existindo e tendem, inclusive, a aumentar, e a assessoria jurídica por parte dos advogados aos seus clientes é fundamental.

Os advogados precisam aprender a empreender, e os desafios vão de simples a complexas questões. Envolve o desenvolvimento de habilidades multidisciplinares, como gestão de pessoas, empatia, escuta ativa, liderança, além de estruturar um bom plano de negócios, e ter uma equipe de alta performance. Essas aptidões é o que vai diferenciar da concorrência, atrair novos clientes, além de manter os já conquistados, claro, e isso tudo em um mundo que muda em uma velocidade jamais antes vista.

O advogado vai precisar compreender que se faz necessário fazer mais e melhor em menos tempo. Para isso, utilizar as inovações tecnológicas como ferramentas em seu trabalho, e aplicar as mais variadas plataformas para otimizar o ofício é indispensável, porque vai proporcionar um resultado de excelência aos seus clientes.

Sabemos que há múltiplas possibilidades ou multiportas de acesso à Justiça. Então, caberá ao advogado adotar o método mais adequado para cada situação. Nesse momento de isolamento social, em que o contato físico deve ser evitado, o uso das plataformas de resolução de conflitos online, permite encurtar distâncias, reduzir custos e tempo e viabilizar a solução rápida, eficiente e segura do conflito, possibilitando, ao advogado, o recebimento mais rápido dos seus justos honorários.

Richard Susskind, professor britânico, em seu comentário publicado no The Times, ressaltou que se os escritórios de advocacia e os sistemas jurídicos não encontrarem uma forma de trabalhar nas próximas semanas, o COVID-19 rapidamente os derrubará, o que impõe uma reformulação em seu modo de pensar e trabalhar.

E essa reinvenção, readaptação, passa necessariamente, pela adoção de tecnologias nas práticas cotidianas e, sobretudo conduzir para novas formas de resolução de conflitos. Conforme Susskind, é essencial que ferramentas de mensagens de voz, chat, videochamadas e julgamento online sejam incorporadas à rotina dos advogados.

A previsão do professor é que essas plataformas sejam adotadas em massa nas próximas semanas. “É uma mudança maciça no método de trabalho: operacional, técnica, cultural e emocional”, considera Richard.

O cenário atual é grave, mas poderia ser pior. Caso o COVID-19 tivesse surgido nos anos 90, as consequências seriam maiores, já que a transmissão eletrônica de mensagens e o acesso às informações via internet era reduzida. Hoje, temos a tecnologia a nosso favor, além dos métodos adequados de resolução de conflitos, como a mediação e a arbitragem.

No início deste mês, ao lançar suas previsões intermediárias, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) havia dito que, de acordo com sua hipótese mais adversa, o coronavírus poderia reduzir pela metade o crescimento da economia mundial em 2020. Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE, enfatizou que essa pandemia constitui o terceiro grande "choque" econômico, financeiro e social do século XXI, após os ataques de 11 de setembro de 2001 e a crise financeira global de 2008.

Para Richard Susskind, a solução passa, necessariamente, pela utilização das plataformas que possibilitam soluções e julgamentos online. Para ele a questão que se impõe reflexão é: o acesso à Justiça é um serviço ou um lugar?

Essa questão merece atenção, sobretudo em face do momento atual, da necessidade de distanciamento social e da sociedade dinâmica, flexível e complexa que vivemos. Tanto que os ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e todos os Tribunais do País vem recomendando, até mesmo antes dessa pandemia, a utilização da mediação e da arbitragem para resolução dos conflitos.

Para permanecer no mercado, portanto, os escritórios de advocacia precisam se reestruturar, adotar novas tecnologias e aderir às novas práticas de resolução de conflitos, como a mediação e a arbitragem, sobretudo por meio das plataformas online.

É o trabalho remoto, a tecnologia e a inteligência artificial em benefício da sociedade.

*Melanie de Carvalho Tonsic
Advogada. Mestranda em Resolução de Conflitos e Mediação pela Universidade Europea del Athántico. Especialista em Negociação, pela CMI Interser, no Harvard Faculty Club, Cambridge/MA. Especialista em Mediação de Conflitos na Universidade de Salamanca – Espanha. Especialista em Mediação e Arbitragem na Universidade Portucalense – Portugal. Mediadora. Arbitralista. Fundadora e CEO da ACORDIA Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem. Membro da Comissão de Mediação e Arbitragem da OAB/MT.

Contato: contato@acordia.com.br

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